Mauj Alexandre Imamura…o novo colunista da Radio Shiga. Mauj Alexandre Imamura González y Méndez., 41 anos, nasceu em São Paulo – capital e mora no estado de Aichi-ken, na cidade de Nishio. Esse rapaz alegre, simpático, educado, inteligente e cheio de vida, no alto dos seus 41 aninhos de vivencia nem de longe deixa transparecer sua idade. Realmente a natureza foi muito generosa com ele. Ele vai estar integrando a equipe da Radio Shiga, onde vai ter uma coluna cheia de novidades para quem acompanha o site e seu fiel publico que o acompanha há anos, já que ele vem de outras mídias da Comunidade Brasileira no JP. Vamos aguardar o que ele esta preparando para os leitores e seja bem vindo a família Shiga.

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Alexandre, quando chegou ao Japão, e qual a razão de optar por viver aqui?
Cheguei no Japão em 2004. Vim em busca de uma estabilidade que no Brasil estava difícil de conseguir: segurança, qualidade de vida e cidadania. Eu queria um pouco de paz, de tranquilidade e sempre tive vontade de morar em outro país, conhecer uma outra realidade.
Fora o velho sonho de aprender japonês…

No Brasil estudou psicologia e eletrônica. Se formou em alguma delas?
Me formei em ambas. Colegial técnico de eletrônica pela ETE Getúlio Vargas e psicologia pela São Marcos. Mas não fiz especialização.

Falando em psicologia, vejo no seu perfil que tem uma legião de fãs e que muitas até te batizaram de Guru. Você é do tipo conselheiro?
Nunca dou conselhos “gratuitamente”, só aconselho quando me pedem. E falo o que sinto no coração, baseado no que conheço, estudei, li, ri, chorei e vivi. Sinto que certas coisas que falo fazem eco, repercutem no coração de muitas pessoas. É, porque, no fundo, somos todos iguais, todos humanos e vivendo as mesmas felicidades e dilemas. Muitas vezes a minha
dor pode ser ou ter sido a sua. E vice-versa.

Do que deixou no Brasil, o que mais sente falta?1005819_649827421697038_74588148_n
Sinto falta da alegria do país (um povo que, mesmo tão sofrido, sabe sorrir). O calor humano, aquela coisa de virar amigo de infância em um passeio de ônibus. A comida do dia-a-dia, tão rica e variada. Idem a diversidade cultural, racial. As paisagens, os lugares que estive. Sinto saudades de muita coisa de lá. Amo muito meu país de origem, apesar de todos os seus velhos e (espero que não) eternos defeitos.

O que mais te agrada aqui no Japão?
Aqui as coisas funcionam. O país é seguro, organizado, estável. A educação e cidadania dos japoneses me impressiona. Gosto das estações climáticas bem definidas, a mistura do novo
com antigo, a cultura tradicional. E a natureza, que apesar de ser nervosinha por aqui, encanta e muito.

Quando chegou ao arquipélago, quais foram suas maiores dificuldades?
Idioma! Me senti mudo, analfabeto, um bebê perdido do outro lado do mundo. A diferença cultural, mesmo tendo origem japonesa, também pesou bastante.

Pensa em voltar a viver no Brasil ou prefere continuar aqui?
Penso em voltar um dia. Quero poder curtir melhor o Brasil. Sei que atualmente o país vive uma fase muito turbulenta, mas que futuramente as coisas hão de melhorar. Tenho muito o que viver, conhecer, presenciar no Brasil e América Latina. Procuro viver muito bem no Japão, para um dia deixar esta terra e sentir que aqui vivi da melhor maneira possível, aproveitando tudo o que este lugar tem de melhor.

Há alguns anos atrás era mais complicado viver no Japão, onde para consumir produtos brasileiros dependia de caminhões que vendiam de porta em porta. Você chegou a viver essa fase aqui?
Quando cheguei já havia até japoneses falando português! Não peguei esta fase pioneira, que foi tão difícil para tanta gente. De certa forma, hoje em dia, somos privilegiados. Praticamente montamos um mini Brasil por aqui.

Na sua opinião, o que precisa mudar na relação entre brasileiros e japoneses, para se ter uma boa convivência?
A compreensão das diferenças culturais, principalmente. É a raiz de todos os problemas.
É muito difícil a aceitação de certos valores entre as comunidades, os ideais de vida e felicidade. Brasileiro é muito mais emoção, japoneses são racionalidade. Ambos os povos são muito fechados, sistematicamente amarrados na própria cultura e modo de pensar.

Alexandre, você é uma pessoa que gosta de escrever, inclusive já teve alguns blogs. Quais eram os assuntos que gostava de publicar neles?
Eu escrevia muito sobre meu cotidiano aqui no Japão. E também dava meu ponto de vista sobre assuntos do momento. Publicava fotos e videos. O Lost in Japan, meu primeiro blog, chegou a ter mais de dez milhões de acessos. Foi uma fase muito gostosa, conheci gente
interessantíssima e aprendi muito também.

Escreveu pra algumas mídias aqui no Japão. Quais foram?
Tive uma coluna no antigo jornal International Press, versão impressa (aquele jornal que era vendido nas lojas brasileiras). Escrevi também para o Webnews, Portal Nippon, J-Wave, Click’s Japan, etc. E também para algumas revistas impressas (Cara Nova, Click’s Japan e outras, como freelancer).

Quando vivia no Brasil, trabalhou na Manchete. Qual era a sua função?
Entrei como estagiário, devido ao curso de eletrônica. Iniciei como auxiliar de operação de videotape e depois acabei fazendo um pouco de tudo (até figuração em dramaturgia) já que a emissora vivia em crise e sempre faltava funcionários para tudo.

Você foi convidado para ser colunista no site da Rádio Shiga. Pode adiantar como será seu trabalho ou é surpresa?
No fundo montaremos uma grande roda de amigos. Uma conversa com o ouvinte da rádio, via texto ou áudio. Ainda está tudo em formatação, mas vem coisa boa por aí!

Tem planos futuros ou é o tipo de pessoa que vive o momento?
Não chego a ser hedonista, mas não penso em demasiado no futuro. Não há como controlar o futuro, prefiro ir vivendo meu dia-a-dia e tomando minhas decisões baseado na realidade que vivo e não em sonhos ou ideais projetados.

11863344_1039946699351773_164997888931270144_nO Alexandre das redes sociais é um amigo simpático, brincalhão, atencioso, educado, mas também sem papas na língua quando acha que deve soltar os cachorros. É assim na rotina do dia-a-dia também?
Raramente eu brigo ou discuto com alguém. Só quando me sinto invadido, desrespeitado. Costumo ser paciente, porém reajo quando sinto que as pessoas passam certos limites, que
prejudicam uma convivência harmônica. Como todo mundo, gosto de ser respeitado. E não sou masoquista, não gosto de gente que não gosta de mim ou me maltrata, rs. Sou do amor, da paz, quem vier com esses dois ingredientes já levou meu coração.

Qual o maior apuro que já passou aqui no Japão?
Me perder, várias vezes, em tempos de celular sem GPS. Gafes mil. Comer coisas estranhas e descobrir só depois o que era. Vou contar estas coisas no meu espaço na Radio Shiga.

Vamos para um vapt-vupt?

Qual seu maior sonho?
Ser feliz (acho que já sou, então seguir sendo) e ver as pessoas que amo felizes.

Qual foi sua maior decepção?
Máscaras desfeitas. É sempre muito triste.

O que mais te atrai numa pessoa?
O jeito. Se for atencioso, simpático, prestativo.

O que mais detesta nas pessoas?
Frieza, aquele narizinho empinado blasé. Gente chata ou que me estressa por bobagem.

Livro que mais gostou de ler?
Olhai os Lirios do Campo. Sou apaixonado por todos os livros do Érico Veríssimo.

Uma música que marcou?
Clair de Lune, de Debussy. É ouvir e me emocionar. E Alouette, de Denise Emmer.

Melhor filme?
Gosto muito de cinema nacional. É impossível escolher um único.

Seus atores preferidos?
Ruth de Souza, Lucia Méndez, Marcélia Cartaxo, Selton Mello, Sérgio Cardoso, Catherine Deneuve e tantos outros!

Qual seu estilo musical?
Gosto de tudo, menos sertanejo. Não curto muito a música atual brasileira, prefiro a mais antiga.

Cantores que mais gosta?
De MPB, adoro muitos! Fairouz, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, o time todo da Motown… Cantores de música regional e típica. As divas da Era Showa. São tantos, porque amo música.

E qual o gênero de filme que mais curte?
Terror.

Hobby predileto?
Viajar.

Animal de estimação?
Cachorro.

Cor preferida?
Vermelho e azul .

Melhor perfume?
Cheiro de quem se ama.

Fruta que mais gosta?
Salada de frutas. hehehe

Qual seu prato preferido?
Self-service… rs. Porque tem de tudo um tudo!

O que não come de jeito nenhum?
Coisas exóticas demais, tipo carne de cachorro, insetos.

Para encerrar, deixe uma mensagem para aqueles que já acompanham o seu trabalho e para aqueles que vão começar agora…

Obrigado por tudo, sempre! E sempre juntos!

Radio Shiga by Cleo Oshiro

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Cleo Oshiro
Sou a Cleo Oshiro, uma mineira que no ano de 2002 optou por viver no Japão com a família. Em 2010 a Revista GVK Internacional no Brasil, especializada em karaokê, me descobriu no Orkut e através da minha paixão pela música e karaokê, decidiram fazer uma matéria sobre minha vida aqui no Japão, afinal foi aqui na cidade de Kobe que ele surgiu e se espalhou pelo mundo. Com a repercussão da matéria, eles me convidaram para ser a Correspondente Internacional da revista no Japão e aceitei o desafio e não parei mais. Fui Colunista Social por 2 anos no Portal Mie/Japão, da Revista Baladas Internacional/ Suiça, na BDCiTV/EUA e na Revista Biografia/ Brasil, realizando entrevistas com várias personalidades do meio artístico. Minhas matérias são para divulgar o trabalho dos artistas, sem apelos sensacionalistas, mesmo porque meu foco é mostrar a imensidão de talentos espalhados pelo mundo sejam famosos ou não. Atualmente faço parte da equipe da Rádio Shiga, onde faço matérias artísticas e sou a idealizadora do programa musical The Best Of Brazilian Music em parceria com o Omote-san. O programa foi suspenso devido problemas interno, mas o tempo em que esteve no ar levava a música brasileira à outros países da Asia. O programa The Best Of Brazilian Music era apresentado em inglês pela DJ Shine Dory, uma filipina apaixonada pela MPB e Bossa Nova. A escolha pelo idioma foi para alcançar japoneses e estrangeiros que vivem no Japão, já que inglês é um idioma universal e os brasileiros já contavam com o acesso as informações dos artistas através das matérias publicadas por mim no site