Cida Airam: Uma cantora com DNA próprio e personalidade definida. Cida Airam, assim como o Mandacaru, planta nordestina que, apesar dos espinhos e da capacidade de resistência, não perde a beleza, Cida Airam caminha dentro da música popular brasileira.

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Cantora e compositora, começou a compor em Curitiba e desde 1992, ela vem, nota por nota, construindo uma linguagem própria e que lhe permite expressar-se de acordo com tudo que viu, ouviu, sentiu e viveu até aqui. Mas, para conhecer a Cida de hoje, é preciso saber quem foi a Cida de outrora…

Ainda em Natal (RN), cidade onde nasceu, Cida deu os primeiros passos, participando de grupos locais, como a “Banda Raízes” e a “Banda Tempero do Amor”; cantou em grupos vocais, como o grupo “Acorde”, regido por Fábio Cruz, e no Coral Lourdes Guilherme e Madrigal, regido

pelo maestro André; dividiu o palco com cantoras como Tânia Alves e Rita Benneditto; além de diversas premiações como melhor intérprete em festivais nordestinos.

Fora do Brasil, pôde experimentar outros caminhos, ao participar, em 2005, do disco “Saudade”, do “Grupo Luar na Lubre”, em Galícia/Espanha, onde gravou participação no lançamento do CD, à convite deste grupo.img03

Em Curitiba (PR), faz parte do “Vocal Brasileirão” há dez anos. Aliada a experiência com este grupo, com o qual lançou o disco “Invisível Cordão”, em 2008, fez shows com nomes consagrados, como “Quarteto em Cy”, Joyce Moreno, Sá e Guarabira e Ivan Lins, além de estabelecer parcerias com os mais diferentes artistas: do grupo “Keltoi de Música Celta” (2006) a Bernardo Bravo, passando pela “Banda Espinho na Roseira” (2008) e Ravi Brasileiro (direção e preparação vocal no álbum “Cortinas Abertas”), assim como o espetáculo “Coisas do Nordeste”; o prêmio de melhor intérprete do Festival de Araucária (2006); o “Show Brasis” e “Compositoras Brasileiras”; “Eu Canto Samba”, dentre outros.

Agora, com a firmeza de quem sabe o que construiu e dos caminhos que trilhou, Cida lança seu primeiro disco solo, batizado com o próprio nome. Assinando-o em primeira pessoa, confirma o que a audição do mesmo já diz de antemão: Cida Airam traz uma temperatura particular em sua música, um calor que lhe é próprio da vida.

Cantora potiguar radicada em Curitiba, Cida Airam traz na bagagem música com DNA próprio e personalidade definida através de diversas vivências

Mais de 3 mil quilômetros separam Natal de Curitiba. Ambos os lugares, apesar dos contrastes e peculiaridades de clima, costumes e cultura, convivem harmoniosamente em Cida Airam.

img04Da terra natal, a cantora e compositora potiguar traz, além do calor, características que marcam o povo nordestino: coragem, ousadia e persistência. Do sul, onde vive há uma década, solidificou as escolhas de interpretação, avalizadas pela consistência da trajetória na música e pela capacidade de resistência dada pelas baixas temperaturas de Curitiba.

Fora do Brasil, conseguiu vivenciar linguagens que lhe inspiraram e lhe abriram a mente para o fazer artístico. Assim sendo, a experiência de shows em Barcelona e Galícia foram determinantes para a consolidação de sua personalidade musical.

Em Curitiba (PR), integra, desde 2005, o tradicional grupo “Vocal Brasileirão”, que participa em paralelo à carreira solo, construída a partir de shows com temáticas definidas, além de parcerias com os mais diversos artistas curitibanos, nascidos ou que moram no Paraná. Também é professora de música no ensino regular, estudante de Licenciatura em música na FAP/UNESPAR e professora de canto popular.

Em 23 anos de trajetória, o trabalho de Cida é marcado pela fusão de ritmos aparentemente díspares, sonoridade regional com sotaque universal e o calor de uma cantora que sabe a temperatura certa para cada canção.

Atualmente, a artista divulga o primeiro disco solo, onde a cantora nordestina reafirma suas raízes e influências. O primeiro álbum batizado com seu próprio nome, teve produção e arranjo de Luís Otávio e gravado na produtora Gramofone, através da Lei do Mecenato da Prefeitura de Curitiba.img05

“Prazer. Sou Cida Airam. Já morri de morte matada e de morte morrida. Mas aqui tô eu de novo pra cantar uma nova Cida”, assim Cida Airam descreve sua estreia em disco, batizada com o nome adotado a partir de 1990, numa busca pela liberdade que conseguiu cantando. Segundo ela: “Para o primeiro CD, aos 40 anos, melhor se apresentar direito.”

Composto por quatro músicas autorais e nove de compositores diversos, o álbum foi gravado em 2015, na produtora Gramofone, com Luís Otávio como arranjador: “gravar um disco é deixar registrado fases de uma vida musical. O tempo que estou em Curitiba me fez amadurecer vocalmente e experimentar outros repertórios e jeitos de interpretar.”

Para que este trabalho tomasse a forma desejada, um personagem foi fundamental: “Luís Otávio, o arranjador e produtor do disco, surgiu num momento meu de transição para a vida materna, mas mesmo assim conseguimos realizar algumas apresentações musicais com o repertório que iria para o CD. Já vimos o que funcionaria ou não.”

Os polos opostos, reunidos neste álbum (Nordeste e Sul), ganham coesão através da voz desta cantora e compositora potiguar, o que justifica a inclusão de canções de diferentes naturalidades, mas que aqui, convivem harmoniosamente: “Aparelho de Memoriar”, da sergipana Patrícia Polayne, com participação especial de Janine Mathias, é o hit deste disco: em pouco mais de três minutos, a música deixa claro seu acento comercial.

Em “Arribaçã” (Ricardo Ribeiro), Cida voa envolvente por versos como “eu sinto o frio açoitar o meu peito, e o calor da alma me faz aquecer”.

Na faixa três, “Cacau Caju Laranja”, parceria de Carlito Birolli e Luís Felipe Leprevost, Cida canta ao pé do ouvido, num momento pautado por leveza.

img06Parte do repertório de Cida há muito tempo, “Eclipse em Meia Lua” (Carlos Careqa, Adriano Sátiro e Arrigo Barnabé) ganhou a consistência que só os shows podem dar, já chegando com mais força.

Com ambiência que remete ao estado do Pará, “Memória” (Du Gomide) ganhou a cara desta região, vide, principalmente, a guitarra de Cacá Veloso. Para dançar.

Composição própria assinada em parceria com Marta Catunda, “Procissão de Ipês” tem participação especial do Vocal Brasileirão e de Fernanda Sabagh. Canção etérea.

“Menino, quem fica parado é poste”, assim, de maneira convidativa, Cida tem participação de Ricardo Ribeiro, “Coco Sincopado”, de Jacinto Silva. Aqui, a cantora reafirma suas origens.

Assinada solitariamente pela própria artista, “Flor das Águas”, com percussão marcante de Carlos Ferraz, remete aos tempos de outrora.

“Tunina” (Cida Airam) explicita a ligação da cantora com as benzedeiras, como atestam os versos: “veia rezadeira, cura o mal olhado, casca de romã, murta e capim, folha miudinha, goembegaçu, Mãe Tunina china la do sul”.

“Tamanquero” (Domínio Público), coco paraibano recolhido por Mário de Andrade, com participação de Rodrigo del Rey, é marcado pela força típica dos nordestinos.

Composta pelo carioca Antônio Saraiva, “Ritual Profano” é a primeira faixa a ganhar um videoclipe. Aqui, a voz de Cida vai dando força para as imagens da letra inspirada: “planta do pé sobre a face da terra, o ritmo bate no peito do tempo, nos olhos o fogo roubado dos deuses”.img07

“Solitária” (Carlito Birolli, Luís Felipe Leprevost, Troy Rossilho e Matheus Lacerda), conhecida em Curitiba, é a música onde Cida se testa como cantora, experimentando um tipo diferente de interpretação, fugindo da lembrança de outros registros.

“Para Badeba Quiki” é tema instrumental feito pela própria Cida. Além da participação especial, no acordeon, de João Pedro Teixeira, tem trecho do cordel “Nordestino da Gema”, de Hélio Crisanto.

Com letra biográfica/auto-explicativa, “Ave Cida” (Hélio Crisanto) encerra este trabalho com o seguinte recado: “se cantar como pássaro é tua sina, faz da vida um gorgeio permanente, canta alto pra nós ave menina”.

Tudo isto também só foi possível graças a uma pessoa que, na época, nem tinha nascido: Samuel, filho da cantora. Ele influenciou diretamente no que você ouve agora: “O nascimento do CD também coincidiu com o nascimento do meu filho e tudo ficou mais claro, aberto e fluiu como o líquido amniótico que vai aumentando, ao longo da gestação, e termina com o nascimento tão esperado.”

Por fim, a tônica deste disco é unir regiões, sintetizá-las a partir de um denominador comum: “Cida Airam”, portanto, trata-se de um trabalho que une raízes nordestinas e a vivência sulista, ou seja, um duelo amistoso entre o seco do sertão, abundante de luz solar, e o seco dos galhos do inverno cinza curitibano.

Radio Shiga by Cleo Oshiro

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCg-inRlivr_6Jlt5bUflhDw
Soundcloud: https://soundcloud.com/cida-airam

Flyer Cida Airam Red

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Cleo Oshiro
Sou a Cleo Oshiro, uma mineira que no ano de 2002 optou por viver no Japão com a família. Em 2010 a Revista GVK Internacional no Brasil, especializada em karaokê, me descobriu no Orkut e através da minha paixão pela música e karaokê, decidiram fazer uma matéria sobre minha vida aqui no Japão, afinal foi aqui na cidade de Kobe que ele surgiu e se espalhou pelo mundo. Com a repercussão da matéria, eles me convidaram para ser a Correspondente Internacional da revista no Japão e aceitei o desafio e não parei mais. Fui Colunista Social por 2 anos no Portal Mie/Japão, da Revista Baladas Internacional/ Suiça, na BDCiTV/EUA e na Revista Biografia/ Brasil, realizando entrevistas com várias personalidades do meio artístico. Minhas matérias são para divulgar o trabalho dos artistas, sem apelos sensacionalistas, mesmo porque meu foco é mostrar a imensidão de talentos espalhados pelo mundo sejam famosos ou não. Atualmente faço parte da equipe da Rádio Shiga, onde faço matérias artísticas e sou a idealizadora do programa musical The Best Of Brazilian Music em parceria com o Omote-san. O programa foi suspenso devido problemas interno, mas o tempo em que esteve no ar levava a música brasileira à outros países da Asia. O programa The Best Of Brazilian Music era apresentado em inglês pela DJ Shine Dory, uma filipina apaixonada pela MPB e Bossa Nova. A escolha pelo idioma foi para alcançar japoneses e estrangeiros que vivem no Japão, já que inglês é um idioma universal e os brasileiros já contavam com o acesso as informações dos artistas através das matérias publicadas por mim no site