Brasileiro condenado à morte na Indonésia é transferido para local de execução

Adaíra Sene
AFP – Agence France-Presse
Publicação: 04/03/2015 21:12 Atualização:
O brasileiro condenado à morte na Indonésia foi levado – junto com os outros nove jurados de morte – nesta quarta-feira para uma prisão de Java onde deverá ser executado. Rodrigo Gularte, de 42 anos, foi sentenciado por entrar no país com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surf. Ele está preso desde 2004 e a família ainda tenta provar às autoridades que ele sofre de esquizofrenia para evitar o fuzilamento e transferi-lo para um centro psiquiátrico.

Além dele, os australianos Andrew Chan, 31 anos, e Myuran Sukumaran, 33, condenados à morte em 2006 por dirigir uma rede de tráfico de heroína entre Indonésia e Austrália, também foram transferidos no início da manhã da prisão de Kerobakan, na ilha de Bali.

Quase 200 policiais, 50 soldados e canhões de água foram mobilizados ao redor do estabelecimento penitenciário. As autoridades não informaram a data da execução. O ministro indonésio da Justiça, Muahamad Prasetyo, afirmou que os últimos preparativos para a execução, em particular o treinamento do pelotão de fuzilamento, já estavam em andamento. Os condenados à morte são avisados da execução 72 horas antes.

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, afirmou nesta quarta-feira que se sentia “indignado pela perspectiva das execuções” de seus dois compatriotas e convocou a Indonésia a mudar de parecer, advertindo que, com isso, não pretendia dar falsas esperanças às famílias.

O brasileiro e os australianos estão juntos com condenados da França, Filipinas, Nigéria e Gana, que também tiveram seus pedidos de indulto negados.

Dezenas de indonésios e estrangeiros de 15 países condenados à pena capital por casos envolvendo entorpecentes estão no corredor da morte na Indonésia, que tem uma das legislações mais severas do mundo em matéria de drogas.

O novo presidente indonésio, Joko Widodo, afirmou pouco depois de chegar ao poder, em outubro, que não concederia nenhum indulto aos condenados à morte por narcotráfico. Considera que seu país vive uma situação de estado de urgência em matéria de entorpecentes, que provocam a morte de dezenas de jovens todos os dias.

Outro caso
No dia 18 de janeiro, a Indonésia executou o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, um holandês, um vietnamita, um malauiano e um nigeriano. As primeiras execuções no país desde 2013 provocaram uma onda de indignação internacional.

AFP